uma ida atribulada

janeiro 27, 2016


A minha ida para Londres esteve para não acontecer. Mais uma vez, e já com a certeza de que é bruxedo, a minha mãe foi internada de urgência. Foi um "se não fores eu mando-te para lá de pontapé. Nem penses em não ir a Londres por causa de mim, eu fico bem. Os médicos estão cá para tratar de mim", que me fez ir. Ter a minha mãe nos cuidados intensivos porque o coração dela falhou outra vez, abalou-me.

Fiz a viagem a medo e com receio de que algo de mau acontecesse. Ainda por cima não lhe podia ligar porque era proibido o uso de telemóveis naquela sala e o meu pai só podia estar duas horas por dia com ela. Mas correu tudo bem. A minha mãe esteve uma semana nos cuidados intensivos e após isso foi transferida para o andar da cardiologia. Um dia após a minha chegada de Londres é que descobriram a razão do coração falhar e o que lhe valeu - se é que podemos dizer assim - é que durante o exame teve um ataque e foi aí que os médicos viram o que estava mal.

Fui feliz em Londres mas andava sempre preocupada com a minha mãe. Quando ela me ligou a dizer que foi transferida para outro andar até chorei de alegria. Não há nada melhor como ouvir a voz da mãe ao fim de uma semana sem lhe poder falar. Mas também não há sensação melhor do que chegar ao hospital e naqueles dois segundos em que ela olha para mim, começa logo a chorar assim que a abraço e toda a gente na sala a dizer "oh, pronto já cá tem a sua menina, já se vai sentir muito melhor."

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